ENTRE PLANILHAS E CANTEIROS DE OBRAS:
A ECONOMISTA QUE TRANSFORMOU O CONHECIMENTO TÉCNICO EM AÇÃO VOLUNTÁRIA
O cidadão faz a diferença quando acompanha a aplicação dos recursos públicos e compreende o poder do Controle Social
Texto e Pesquisa: Daniele Marcola, Força Tarefa Cidadã
Pré-diagramação e Revisão: Felipe Alves
Diagramação, Arte Final e Programação: Mateus Porfírio
Enquanto, a maioria das pessoas, passa em frente a uma obra pública e segue seu caminho, Márcia do Socorro de Sousa Lima, voluntária do projeto FORÇA TAREFA CIDADÃ, faz o contrário: ela para, observa, fotografa, conversa com responsáveis pela execução e registra cada detalhe.
A rotina, que poderia parecer parte de sua profissão, acontece por uma escolha pessoal. Aos 59 anos, economista, especialista em controle Estatístico e funcionária pública, Márcia decidiu dedicar parte do seu tempo ao voluntariado, transformando conhecimento técnico em participação cidadã.
Ela conheceu o projeto acompanhando as transmissões do Observatório Social do Brasil pelo YouTube e decidiu que poderia, por meio desta ação, colaborar de forma direta com sua comunidade, foi ali, naquela oportunidade, que ela encontrou uma conexão para poder fazer algo que sempre acreditou ser essencial.
“Sempre acreditei que exercer a cidadania vai além de votar. Ser voluntária é uma oportunidade de colaborar para que os recursos públicos sejam bem aplicados e para que a população receba obras de qualidade – Márcia do Socorro
Márcia é funcionária pública, cumpre uma jornada de oito horas, mas depois do expediente, encontra tempo para outra missão, ela organiza visitas, acompanha obras, registra informações e envia relatórios que ajudam a fortalecer o controle social, sendo voluntária atuante do projeto coordenado pelo Observatório Social do Brasil em parceria com o Tribunal de Contas da União: a FORÇA TAREFA CIDADÃ!
Conciliar trabalho, família e voluntariado exige disciplina, mas, para ela, esse esforço faz sentido, Socorro destaca que: “Como sou funcionária pública, preciso conciliar minhas atividades profissionais, pessoais e familiares com o voluntariado. Ainda assim, acredito que vale a pena dedicar parte do meu tempo a essa missão.”
Seu histórico profissional na área de Controle Interno fez com que a fiscalização de obras fosse um ambiente familiar, mesmo assim, a realidade encontrada nos canteiros trouxe novas reflexões.
Desde que ingressou na Força-Tarefa Cidadã Obras, Márcia já realizou oito visitas técnicas, acompanhando cinco empreendimentos públicos entre os municípios de Belém e Marituba, no Pará. Entre creches e escolas, ela acompanhou obras em diferentes estágios.
Em Marituba, encontrou duas realidades completamente distintas, uma das construções, que estava paralisada, retomou os serviços e hoje apresenta aproximadamente 70% de execução.
Em Belém, a situação também exige atenção, uma escola concluiu apenas a cobertura, outra ainda aguarda o início efetivo das obras… em uma terceira unidade, o processo licitatório continua em andamento. São cenários diferentes, mas que possuem um ponto em comum: comunidades aguardando respostas.
A frase que ficou na memória
Embora ainda não tenha conseguido conversar com moradores durante as visitas, uma fala marcou profundamente sua trajetória.
Durante uma visita a uma escola em Belém, na presença do fiscal da obra, o diretor fez um apelo simples e sincero, “Poxa, ajude a gente. Queremos muito conseguir reformar essa quadra. Os estudantes precisam disso.”
Para Márcia, aquele pedido representava muito mais do que uma reforma, era o retrato de estudantes esperando por melhores condições para aprender.
Durante as visitas, um detalhe chamou a atenção da voluntária, em uma das obras de Marituba, a placa informativa existia, mas parte das informações estava coberta, pode parecer um pequeno detalhe, mas a transparência começa justamente pela informação.
Quando dados importantes deixam de estar acessíveis à população, torna-se mais difícil acompanhar a correta aplicação dos recursos públicos.
Perguntada sobre o que significa ser voluntária da Força-Tarefa Cidadã Obras, Marcia do Socorro responde sem hesitar:
“Significa exercer a cidadania com responsabilidade, contribuindo para que os recursos públicos sejam aplicados com transparência, eficiência e em benefício da sociedade. Para mim, é motivo de orgulho fazer parte de uma iniciativa que busca transformar a realidade das cidades por meio do engajamento de pessoas comprometidas com o bem comum… faz toda a diferença (acompanhar obras publicar e exercer o direito ao Controle Social). Quando o cidadão acompanha uma obra pública, ajuda a garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e que a obra realmente beneficie a população. Quando cada pessoa faz a sua parte, por menor que pareça, o resultado pode transformar a realidade de muita gente.”
Ao final da conversa, Márcia faz um convite que resume o espírito da Força-Tarefa Cidadã Obras e de todo o Observatório Social do Brasil, instituição que coordena o projeto em parceria com o TCU:
“Se você deseja fazer a diferença na sua comunidade, seja voluntário. Basta não ter filiação político-partidária, ter vontade de aprender, agir com ética e acreditar que pequenas ações podem gerar grandes transformações.”
Histórias como a de Márcia mostram que o Controle Social não depende apenas de especialistas ou órgãos públicos. Ele também nasce da disposição de cidadãos que decidem dedicar conhecimento, tempo e compromisso para acompanhar a aplicação dos recursos públicos.
Na Força-Tarefa Cidadã Obras, cada visita representa mais do que um relatório técnico, é a demonstração de que a participação da sociedade fortalece a transparência, aproxima o poder público da população e contribui para que obras de interesse coletivo cumpram sua finalidade.
A FORÇA-TAREFA CIDADÃ é uma iniciativa conjunta do Observatório Social do Brasil (OSB) e do Tribunal de Contas da União (TCU). O projeto mobiliza cidadãos voluntários para fiscalizar a retomada de mais de 3.700 obras paralisadas de creches e escolas em todo o país.
Saiba mais e torne-se um voluntário desta importante iniciativa visitando:
O OSB é uma instituição não governamental, sem fins lucrativos, disseminadora de uma metodologia padronizada para a criação e atuação de uma rede de organizações democráticas e apartidárias do terceiro setor. O Sistema OSB é formado por voluntários engajados na causa da justiça social e contribui para a melhoria da gestão pública.
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