OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL

OSB 18 ANOS:
O LEGADO ALÉM DA GESTÃO PÚBLICA

AUTORA:
Letícia Cardoso

02 de maio de 2013…

Eu talvez não soubesse naquele dia, mas estava começando uma das experiências que mais transformariam minha vida profissional e pessoal. Fui contratada como a primeira funcionária do Observatório Social do Brasil.

Entrei como secretária executiva, mas, na prática, fui aprendendo que, em uma organização que estava crescendo, “secretária executiva” significava estar onde fosse necessário.

Eu fazia de tudo um pouco. Secretariado, administrativo, financeiro, institucional, captação de recursos, suprimentos, eventos, comunicação, design… Foi uma verdadeira escola. Mas a maior transformação não aconteceu nas atividades que eu desempenhava. Aconteceu na forma como comecei a enxergar o Brasil.

Talvez exista uma ironia bonita nessa história: antes do OSB, eu tinha aversão à política. Não queria me envolver. Não entendia muito bem como funcionava a gestão pública e, como tantas pessoas, enxergava a política como algo distante, complicado e muitas vezes desagradável.

E comecei a trabalhar justamente em uma organização cuja razão de existir era aproximar o cidadão da gestão pública. Comecei a entender que gestão pública não é algo distante. Está na escola dos nossos filhos, na unidade de saúde, na rua onde moramos, na obra que é construída, no serviço que recebemos (ou deixamos de receber).

Comecei a perceber que os recursos públicos são nossos. E que acompanhar como são utilizados também é responsabilidade nossa. Surgiu a curiosidade no tema. A curiosidade virou interesse. O interesse virou estudo. E o estudo virou propósito: “Quero ajudar o meu país a funcionar.” O OSB me mostrou que isso era possível.

No OSB, tive a oportunidade de conviver com profissionais que ampliaram minha visão de mundo. Pessoas que me ensinaram sobre gestão pública, cidadania, relacionamento político, liderança, responsabilidade e, principalmente, sobre o poder que uma sociedade organizada pode ter.

Essa é uma das coisas mais bonitas que uma organização pode proporcionar: colocar pessoas no nosso caminho que nos ajudam a enxergar possibilidades que ainda não conseguíamos enxergar sozinhos.

Foi também no OSB que conheci uma área que viria a se tornar parte central da minha vida profissional: o compliance. Naquele momento, talvez eu ainda não soubesse que esse conhecimento se tornaria uma das minhas principais áreas de atuação.

O OSB me deu repertório e me colocou em contato com profissionais que eu jamais teria conhecido em outro contexto. E, principalmente, me deu oportunidades. Uma delas foi poder participar de um curso na Dinamarca sobre Transparência e Governança. Estar ali foi uma daquelas situações em que a gente percebe que uma oportunidade pode mudar nossa perspectiva para sempre.

Aprendi que não precisamos copiar modelos de outros países, mas sim aprender com eles, compreender nossas próprias realidades e encontrar os caminhos possíveis para o nosso país.

Confesso que sinto orgulho ao pensar naquela jovem disposta a fazer o que fosse necessário. Ela cresceu, se transformou, mudou de visão e de carreira, mas permanece, até hoje, dedicando-se à instituição que lhe abriu tantas portas.

O OSB tem números importantes para celebrar. São 18 anos de história. Uma rede nacional. Centenas de municípios acompanhados. Milhares de pessoas envolvidas. Bilhões em recursos públicos monitorados e economia gerada. Resultados concretos. Tudo isso importa, importa muito!

Mas existe uma outra dimensão de impacto que talvez seja mais difícil de medir. O impacto nas pessoas:

É o cidadão que começa a acompanhar a gestão pública.

É o voluntário que descobre que pode fazer a diferença.

É o estudante que aprende que cidadania não termina no voto.

É o profissional que encontra uma nova área de atuação.

É a pessoa que passa a compreender que transparência, integridade e responsabilidade são valores que precisam fazer parte da nossa vida cotidiana.

E são pessoas como eu. Que entraram pela porta do OSB para trabalhar e, ao longo do caminho, descobriram que estavam ali também para aprender, participar e contribuir.

Eu entrei no OSB para exercer uma profissão. O OSB me ensinou a exercer a cidadania.

Entrei com uma formação em Secretariado Executivo Trilíngue. Saí com uma visão muito mais ampla de governança, gestão de organizações e de sociedade.

Entrei com 23 anos. E, de certa forma, cresci junto com o OSB.

Hoje posso dizer que o OSB não foi apenas um capítulo da minha carreira, foi parte da construção de quem eu me tornei. E talvez esse seja um dos maiores legados do OSB: não apenas transformar a gestão pública, não apenas fortalecer o controle social, não apenas contribuir para um Brasil mais íntegro e transparente, mas, acima de tudo, transformar as pessoas que passam por sua história.

Aos 18 anos, o OSB celebra uma história construída por muitas mãos, muitas vozes e muitas trajetórias.

Eu tenho a alegria — e a responsabilidade — de dizer que uma parte muito importante da minha própria história também foi construída ali.

Parabéns, OSB, pelos 18 anos.

Que continuemos ajudando o Brasil a funcionar melhor. E que continuemos, acima de tudo, despertando cidadãos capazes de fazer isso acontecer!

Letícia Cardoso

Consultora em Compliance e Integridade do Observatório Social do Brasil
Sócia da LC Verum – Compliance & Assessoria
@leccardoso @lcverum