MUITO ALÉM DA OBRA:
A JORNADA DE UMA VOLUNTÁRIA QUE SE RECUSA DEIXAR COMUNIDADE ESQUECIDA
Texto e Pesquisa: Daniele Marcola, Força Tarefa Cidadã
Pré-diagramação e Revisão: Felipe Alves
Diagramação, Arte Final e Programação: Mateus Porfírio
Existem visitas técnicas que registram números, fotografias e percentuais de execução. E existem visitas que contam histórias de compromisso, perseverança e cidadania.
Foi exatamente isso que viveu Jenife de Sousa Rodrigues, uma das primeiras voluntárias da Força-Tarefa Cidadã Obras e atualmente responsável pelo acompanhamento de quatro empreendimentos públicos no estado do Amapá.
Administradora, acadêmica de Letras/Inglês, presidente do CACS/FUNDEB de Santana (AP), integrante do Plano Municipal de Educação e voluntária em diversas iniciativas sociais, Jenife encontrou na Força-Tarefa uma forma de ampliar um trabalho que já fazia em defesa da educação pública.
Para chegar até a Escola Municipal Piassacá, localizada na comunidade do Rio Água Branca, zona rural de Santana (AP), a missão começou muito antes da chegada ao local da obra.
Foram aproximadamente duas horas de carro por estrada de terra, seguidas de mais duas horas de viagem em uma embarcação do tipo rabeta, navegando pelos rios da região amazônica. A logística, por si só, já explica parte da dificuldade enfrentada para executar a construção da escola.
Segundo os moradores, transportar materiais depende das cheias dos rios, enquanto a execução dos serviços precisa ocorrer no período de estiagem. Cada etapa exige planejamento, recursos e determinação.
Ao chegar ao destino, Jenife encontrou uma realidade silenciosa: uma construção interrompida, tomada pela vegetação e pelo passar do tempo. A Escola Municipal Piassacá foi projetada para atender até 360 estudantes em dois turnos, mas permanece com apenas 34,26% da obra executada.
Durante a visita, porém, o que mais marcou a voluntária não foram apenas as paredes inacabadas.
Jenife destaca que “A senhora que nos recebeu pediu que ajudássemos os filhos dela, porque a escola da comunidade não oferece todas as séries. Quando chegam a determinada etapa dos estudos, as crianças precisam ir morar com parentes na cidade para continuar estudando.”
A voluntária ainda relata:
“Muitas pessoas daqui já saíram para estudar, se formaram e gostariam de voltar. Mas, sem trabalho, precisam permanecer na cidade. Uma escola maior também gera empregos e fortalece a comunidade.”
Essas palavras revelam que uma escola representa muito mais do que um prédio, ela significa oportunidade, permanência das famílias, geração de renda e esperança de futuro.
A própria visita precisou ser adiada por meses porque as condições do rio impediam a navegação necessária para alcançar a comunidade, ao final da jornada, o sentimento era uma mistura de tristeza e motivação.
Jenife de Sousa Rodrigues
Administradora – Acadêmica de Letras – Voluntária da Força Tarefa Cidadã
A complexidade da obra também leva a voluntária Jenife a refletir e relatar que: “É difícil uma empresa ter coragem e determinação para concluir esse projeto. É preciso aproveitar o período de cheia para transportar os materiais e a estiagem para executar os serviços… vim de lá com tanta angústia, mas também com uma vontade imensa de ajudar ainda mais.”
Os voluntários não acompanham apenas concreto, cronogramas e contratos. Eles acompanham sonhos interrompidos, escutam comunidades, registram a realidade e ajudam a manter viva a esperança de que obras públicas possam, um dia, cumprir o propósito para o qual foram planejadas.
Enquanto muitos enxergam apenas uma construção paralisada, cidadãos como Jenife percorrem horas de estrada, enfrentam rios e desafios logísticos para garantir que aquela comunidade continue sendo vista e lembrada.
Porque o controle social também é isso: dar voz às pessoas que esperam, há anos, pela oportunidade de transformar suas vidas por meio da educação.
Quando dados importantes deixam de estar acessíveis à população, torna-se mais difícil acompanhar a correta aplicação dos recursos públicos.
A FORÇA-TAREFA CIDADÃ é uma iniciativa conjunta do Observatório Social do Brasil (OSB) e do Tribunal de Contas da União (TCU). O projeto mobiliza cidadãos voluntários para fiscalizar a retomada de mais de 3.700 obras paralisadas de creches e escolas em todo o país.
Na Força-Tarefa Cidadã Obras, cada visita representa mais do que um relatório técnico, é a demonstração de que a participação da sociedade fortalece a transparência, aproxima o poder público da população e contribui para que obras de interesse coletivo cumpram sua finalidade.
Saiba mais e torne-se um voluntário desta importante iniciativa visitando:
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https://www.osbrasil.org.br/forcatarefa/
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